A Câmara Municipal de Toledo aprovou, na tarde desta segunda-feira (18), em primeiro turno, a cassação dos mandatos dos vereadores afastados Edimilson Dias Barbosa, o “Dudu Barbosa” (MDB), e Valdomiro Nunes Ferreira, o “Bozó” (PL).
A decisão ocorreu poucas horas após a 1ª Vara Criminal da Comarca de Toledo condenar os dois parlamentares pelo crime de corrupção passiva. Conforme a sentença judicial, ambos receberam pena de sete anos, nove meses e dez dias de reclusão, além do pagamento de multa e da perda dos cargos públicos. Apesar da condenação, os vereadores poderão recorrer em liberdade.
Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), os parlamentares teriam solicitado R$ 300 mil a um empresário em troca da aprovação de um projeto ligado à implantação de uma Central Geradora Hidrelétrica (CGH) no Rio São Francisco, na Estrada da Usina.
Na decisão, o magistrado entendeu que o pedido de vantagem indevida ficou comprovado por meio de provas reunidas durante a investigação, incluindo gravações ambientais realizadas durante reuniões na Câmara Municipal, além de depoimentos e outros elementos apresentados no processo.
As matérias que tratam da perda dos mandatos começaram a tramitar após parecer favorável do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, que analisou a Representação nº 1/2025. O relatório foi elaborado pelo vereador Marcos Zanetti (Cidadania).
A sessão foi conduzida inicialmente pela primeira vice-presidente da Câmara, vereadora Professora Marli (MDB), durante a votação do Projeto de Resolução nº 14 de 2026. Na sequência, os trabalhos relacionados ao Projeto de Resolução nº 15 de 2026 foram presididos pelo segundo vice-presidente, vereador Jairo Cerbarro (DC).
A mudança na condução ocorreu após o presidente do Legislativo, Gabriel Baierle (União Brasil), declarar impedimento para participar dos trabalhos por ter atuado como testemunha no processo judicial envolvendo os parlamentares.
Para aprovação da cassação eram necessários ao menos 13 votos favoráveis. Nas duas votações em primeiro turno, os Projetos de Resolução nº 14 e nº 15 de 2026 foram aprovados por unanimidade, com 16 votos favoráveis dos vereadores aptos a votar.
O plenário da Câmara ficou lotado durante a sessão, reunindo moradores, apoiadores, imprensa e autoridades. A segurança foi reforçada e, apesar das manifestações com cartazes e vaias, não houve registro de tumulto.
A votação ocorreu de forma separada para cada vereador. O primeiro processo analisado foi o de Dudu Barbosa, seguido pelo julgamento de Valdomiro Bozó, concluído também com aprovação unânime dos vereadores presentes.
Durante a sessão, três vereadoras chegaram a deixar o plenário devido a compromissos previamente agendados, mas retornaram antes da votação para participar da decisão.
Após a sessão, a vereadora Professora Marli afirmou que o Legislativo manteve coerência diante da decisão da Justiça. Já a defesa dos parlamentares informou que deverá analisar medidas judiciais para questionar possíveis irregularidades apontadas no processo administrativo conduzido pela Câmara.
A votação em segundo turno, que poderá confirmar oficialmente a perda definitiva dos mandatos, está prevista para ocorrer nesta terça-feira (19).