A votação dos pedidos de cassação dos vereadores afastados investigados pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por suspeita de corrupção voltou a provocar forte repercussão política em Toledo nos últimos dias. A sessão marcada para a próxima segunda-feira (18) promete ser uma das mais delicadas da história recente da Câmara Municipal.
Os parlamentares são investigados sob suspeita de terem solicitado R$ 300 mil em propina para favorecer a aprovação de um projeto relacionado à implantação de uma Central Geradora Hidrelétrica (CGH) no Rio São Francisco, na Estrada da Usina.
Nos bastidores do Legislativo, o clima é de intensa articulação política. Segundo informações apuradas, o vereador afastado Dudu Barbosa teria percorrido gabinetes da Câmara nos últimos dias em busca de apoio para tentar evitar a cassação do mandato.
Ainda conforme os relatos, durante a manhã de quinta-feira, o parlamentar visitou vereadores ligados à base governista. Já no período da tarde, participou de reuniões políticas com lideranças partidárias do MDB acompanhado de aliados próximos, em mais uma tentativa de consolidar votos favoráveis à sua permanência no cargo.
Enquanto isso, outro assunto passou a gerar debate político e repercussão entre vereadores e parte da população: a ausência das vereadoras Marli, Khati e Olinda na sessão que poderá definir o futuro político dos investigados. As parlamentares têm viagem programada para Porto Alegre, onde participarão de uma capacitação relacionada ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Apesar de a agenda ser oficial, o tema passou a ser discutido nos bastidores devido à coincidência de datas.
A abertura oficial do evento está prevista para terça-feira (19), porém a saída das vereadoras estaria programada para ocorrer ainda na segunda-feira à noite, justamente no período em que poderá haver continuidade das votações ou até mesmo sessão suplementar na Câmara. Nos corredores do Legislativo, a avaliação é de que eventuais ausências podem impactar diretamente o quórum necessário para as decisões envolvendo os pedidos de cassação. Com isso, cada voto passou a ser tratado como decisivo no desfecho do processo político.
Outro ponto que também movimenta o cenário interno da Câmara envolve o presidente do Legislativo, Gabriel Baierle. Conforme entendimento jurídico debatido nos bastidores, o impedimento declarado pelo parlamentar atingiria apenas a votação relacionada ao vereador Dudu Barbosa, já que Baierle foi arrolado como testemunha no procedimento. No entanto, no caso envolvendo o vereador Valdomiro Bozó, não haveria o mesmo impedimento formal, o que manteria, em tese, sua possibilidade regimental de participação na votação.
O cenário elevou ainda mais a pressão popular sobre os parlamentares. Para parte da população, a sessão da próxima segunda-feira ultrapassa o aspecto político e representa um momento de julgamento institucional e moral da Câmara Municipal diante das denúncias investigadas pelo Ministério Público. A expectativa é de que a sessão tenha grande acompanhamento popular e possa definir um dos capítulos mais marcantes da atual legislatura em Toledo.