A vereadora e professora Marli manifestou-se contra o Projeto de Lei nº 53/2026, que institui o Programa "T-Conecta" no Município de Toledo. A iniciativa é apresentada como uma extensão do Projeto de Lei nº 2.417/2022, o "Aluno Conectado", pelo qual o município já fornece tablets para uso educacional.
A crítica de Marli está centrada no público-alvo do novo programa: crianças com menos de 5 anos de idade, atendidas pelos CMEIs. Para a vereadora, o tempo de tela nessa faixa etária precisa ser debatido com mais profundidade antes da aprovação. "A primeira infância é um período crítico de desenvolvimento. A exposição prolongada a telas pode trazer prejuízos à atenção, ao sono e à socialização. O projeto precisa prever protocolos claros de uso e acompanhamento pedagógico", pontuou.
Ao abordar o tema antes da votação, o vereador Roberto de Souza reforçou o debate e trouxe outra frente de questionamento: a falta de livros didáticos nos CMEIs e nas escolas municipais. Segundo o parlamentar, há unidades relatando acervos defasados e número insuficiente de exemplares para os alunos.
"Não somos contra a tecnologia, mas precisamos de coerência. Como existe investimento para compra de tablets, mas não existe o mesmo empenho para adquirir material didático básico, como os livros? O livro ainda é a base da alfabetização e do letramento. Não podemos inverter as prioridades", declarou Roberto.
O "T-Conecta" amplia o "Aluno Conectado" para a educação infantil, prevendo a distribuição de tablets para uso pedagógico em CMEIs. A gestão dos conteúdos e aplicativos ficaria a cargo da Secretaria de Educação.
Marli e Roberto defendem que, antes da votação, a Prefeitura apresente um parecer técnico sobre os efeitos do tempo de tela em crianças menores de 5 anos e um levantamento atualizado da situação dos acervos bibliográficos da rede municipal.
A data para votação do projeto ainda não foi marcada. A Secretaria de Educação não comentou o assunto até a publicação desta matéria.