A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou, nesta quarta-feira, 24 de junho, uma megaoperação que resultou na prisão de 27 pessoas. O objetivo principal da ofensiva foi desarticular uma complexa organização criminosa que utilizava municípios paranaenses como base estratégica para o tráfico interestadual de drogas, envolvendo-se ativamente na produção, compra, armazenamento e transporte de entorpecentes.
A mobilização contou com a participação de mais de 200 policiais e foi executada simultaneamente em 17 cidades espalhadas por quatro estados brasileiros. A operação teve o apoio fundamental da Polícia Militar (PMPR) e da Polícia Penal do Paraná (PPPR), que atuaram com cães de faro, além do suporte das polícias civis de São Paulo, Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul.
Ao todo, as equipes cumpriram 25 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão. As ordens judiciais foram cumpridas nas seguintes localidades:
- Paraná: Loanda, Nova Londrina, Querência do Norte, Icaraíma, Cruzeiro do Oeste, Porto São José, Londrina e Pato Bragado.
- São Paulo: São Paulo, Mogi Mirim e Botucatu.
- Rio Grande do Norte: Ceará-Mirim e Mossoró.
- Mato Grosso do Sul: Coronel Sapucaia, Tacuru, Naviraí e Itaquiraí.
No estado do Mato Grosso do Sul, duas pessoas foram presas em flagrante por tráfico de drogas. Durante as buscas em dois endereços na região, os agentes apreenderam entorpecentes, além de aproximadamente R$ 30 mil e 10 mil Guaranis paraguaios em espécie. Como parte da estratégia para descapitalizar o grupo e interromper o fluxo financeiro das atividades ilícitas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias de investigados ligados aos núcleos de tráfico e lavagem de dinheiro.
Investigação e origem do grupo
O trabalho de inteligência teve início há cerca de três anos, originado a partir de uma apreensão conjunta entre a PCPR e a Receita Federal, que localizou 1,1 tonelada de entorpecentes em uma transportadora em Maringá.
“A partir da análise do material apreendido e da identificação dos responsáveis pelo carregamento, os policiais chegaram a um grupo criminoso com atuação em Loanda. A primeira fase da operação resultou na identificação de cinco integrantes da organização. Posteriormente, foram descobertos novos envolvidos, culminando na segunda fase da investigação”, detalhou o delegado da PCPR Leandro Munin.
Logística: Compra, Rio Paraná e Distribuição
De acordo com os levantamentos policiais, o Mato Grosso do Sul servia como a principal área de fornecimento e produção dos entorpecentes que abasteciam a rede. A organização contava com membros especializados na preparação de veículos com fundos falsos e compartimentos ocultos para o transporte terrestre.
A engenharia logística contava com criminosos específicos para realizar a travessia das cargas ilícitas para o território paranaense por meio do Rio Paraná, com forte atuação na região de Icaraíma. Após entrarem no estado, os carregamentos eram estocados em entrepostos situados em Icaraíma e Loanda, de onde eram despachados para o resto do país. O envio final contava com o uso de caminhões, carros de passeio e até linhas regulares de ônibus.
O delegado Munin explicou ainda a ramificação nacional do grupo: no estado de São Paulo, foram detectados integrantes vinculados a uma organização criminosa de alcance nacional voltada ao fornecimento; já no Rio Grande do Norte, ficavam os responsáveis por redistribuir as drogas para a região Nordeste.
Asfixia financeira
O monitoramento identificou que o grupo operava um sofisticado núcleo financeiro para ocultar o patrimônio do crime. Os suspeitos disponibilizavam contas bancárias próprias, de terceiros ("laranjas") e de empresas de fachada para movimentar os valores obtidos com as vendas, servindo tanto para receber o dinheiro do varejo quanto para pagar fornecedores de grande porte.
Com o encerramento dos cumprimentos de mandados nesta quarta-feira, todos os detidos foram transferidos diretamente para o sistema penitenciário, onde permanecem à disposição da Justiça.