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Quarta-feira, 01 de Julho de 2026
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Sob tremores secundários, bombeiros do Paraná correm contra o tempo para achar sobreviventes na Venezuela

Equipe atua em turnos de 12 horas sob calor intenso no litoral venezuelano; buscas focam em "espaços vitais" profundos criados sob os prédios que desabaram.

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Por Qual a Boa Notícias
Sob tremores secundários, bombeiros do Paraná correm contra o tempo para achar sobreviventes na Venezuela
Foto: Divulgação/AEN
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Os integrantes do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) que compõem a força-tarefa brasileira de busca e resgate internacional travam uma corrida contra o tempo na Venezuela. Atuando na região litorânea de La Guaira, uma das mais devastadas pelo terremoto que atingiu o país vizinho na última semana, os militares paranaenses encaram turnos operacionais exaustivos de 12 horas consecutivas, interrompidos apenas para hidratação devido ao forte calor.

Coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), a missão brasileira desembarcou em solo venezuelano na noite de sexta-feira (27). O grupo concentra esforços no mapeamento e na varredura técnica de estruturas colapsadas à procura de sobreviventes.

A busca técnica pelos "espaços vitais"
Mesmo dias após o abalo sísmico, a esperança de encontrar pessoas com vida sob as toneladas de concreto reside na existência dos chamados "espaços vitais". Segundo o CBMPR, esses vazios são formados pelo escoramento acidental de lajes, vigas e pilares durante o desabamento, permitindo que vítimas com poucos ferimentos consigam respirar e resistir por vários dias, embora o risco de desidratação severa aumente a cada hora.

O líder da equipe paranaense na missão, tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, detalhou que a operação entrou em uma fase extremamente complexa.

"As vítimas superficiais normalmente já foram retiradas pelas equipes locais nos primeiros dias. Nós entramos em uma fase de busca técnica no interior das edificações colapsadas. São manobras demoradas, prédio por prédio, utilizando cães e equipamentos especializados para localizar pessoas que possam estar em espaços vitais sob os escombros", explicou o oficial.

Perigo constante: terra volta a tremer
A operação em La Guaira exige nervos de aço e protocolos rígidos. Antes de qualquer incursão em galerias profundas, os bombeiros realizam escoramentos táticos para estabilizar o que restou das estruturas. O perigo é iminente: durante os trabalhos, a equipe paranaense sentiu o reflexo de um forte tremor secundário de magnitude 5,1 que atingiu a região.

Além do risco de novos desabamentos induzidos por réplicas do terremoto, a logística local é descrita como caótica. O cenário ao longo de 60 quilômetros entre Caracas e o litoral é de destruição em massa, com edifícios de até 15 andares completamente reduzidos a escombros. Não há energia elétrica, o combustível é escasso e milhares de desabrigados dormem nas calçadas.

Logística e a Força-Tarefa Paranaense
A missão humanitária brasileira foi planejada para durar até 15 dias, reservando os dez primeiros exclusivamente para a localização de sobreviventes. Ao todo, a delegação do Brasil conta com 44 profissionais, entre bombeiros, especialistas de saúde e técnicos da Anatel. O contingente do Paraná engloba dez bombeiros militares altamente especializados, dois cães de faro e quatro toneladas de equipamentos de corte, expansão e monitoramento.

Os paranaenses integram a chamada BRA-01, uma equipe nacional unificada com os corpos de bombeiros de São Paulo e Minas Gerais. O grupo está em estágio avançado de certificação internacional BREC (Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas) junto ao Grupo Consultivo Internacional de Busca e Resgate (Insarag), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU).

O comandante-geral do CBMPR, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, celebrou o nível técnico alcançado pela corporação paranaense, fruto de investimentos iniciados em 2017 com a criação da Força-Tarefa de Resposta a Desastres. "Essa atuação na Venezuela demonstra que o investimento contínuo colocou o Paraná entre as corporações preparadas para operações internacionais de alta complexidade, seguindo rigorosamente os padrões globais", concluiu.

FONTE/CRÉDITOS: AEN
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