Restringido por medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participou por videochamada das manifestações do movimento “Reaja Brasil”, realizadas neste domingo (3) em diversas cidades do país. Os atos reuniram milhares de apoiadores em defesa do ex-mandatário e contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e decisões do ministro Alexandre de Moraes.
Em Belo Horizonte, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) mostrou Bolsonaro por chamada de vídeo durante protesto na Praça da Liberdade. “Vivemos uma ‘democracia’ onde ele não pode falar, mas pode nos ver”, ironizou, apontando o celular para a multidão. Cumprindo ordem judicial, o ex-presidente apenas acenou, sem discursar. O momento foi destaque na matéria: Nikolas Ferreira participa de manifestação em Belo Horizonte: “Reaja Brasil!”; veja vídeo.
Em Belém do Pará, quem também participou foi Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, que discursou para o público presente em apoio ao marido e às pautas conservadoras. O ato foi noticiado em: “Reaja Brasil”: Michelle Bolsonaro participa de manifestação em Belém do Pará; veja vídeo.
Além das capitais, manifestações ocorreram em várias cidades do interior. Em Marabá (PA) e Brasília (DF), milhares de pessoas empunharam bandeiras do Brasil e cartazes pedindo a destituição de Lula e Moraes, além da libertação de presos dos atos de 8 de janeiro. Brasileiros que vivem no exterior também aderiram aos protestos, como mostra a reportagem: Brasileiros que vivem no exterior se unem aos protestos “Reaja Brasil!”; veja vídeo.
Medidas cautelares e contexto
As restrições impostas a Bolsonaro incluem recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana, uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato com diplomatas ou de publicações em redes sociais, mesmo por meio de terceiros. As medidas foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito das investigações sobre suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
A assessoria de Bolsonaro confirmou que ele continuará acompanhando os protestos de forma remota, respeitando a decisão do STF. Para apoiadores, no entanto, sua aparição virtual simboliza resistência. “Ele está conosco, mesmo preso em casa”, afirmou um manifestante em Marabá.
Clima de polarização e próximos atos
Enquanto os apoiadores denunciam perseguição política e censura, críticos afirmam que as medidas judiciais protegem as instituições democráticas. Segundo levantamento recente do Datafolha, 49% dos brasileiros acreditam que Bolsonaro não será preso, enquanto 45% consideram possível sua detenção.
Organizadores do “Reaja Brasil” anunciaram novos atos para as próximas semanas. A mobilização, segundo eles, continuará até que haja mudanças nas decisões judiciais contra Bolsonaro e nos rumos do atual governo.