Uma imagem extraída de um vídeo publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a circular amplamente nas redes sociais acompanhada de teorias que associam erroneamente uma pequena estátua dourada sobre a mesa a símbolos de seitas ou ocultismo. Para esclarecer o que é real e o que é invenção nas redes, confira o balanço dos fatos abaixo:
A estátua dourada é um símbolo satanista?
- BOATO. A escultura em formato de mão reproduz o sinal universal de "I love you" ("Eu te amo") na Língua Americana de Sinais (ASL), formado pelo levantamento dos dedos polegar, indicador e mínimo. O objeto faz referência direta à principal bandeira pública de Michelle Bolsonaro, que atua como intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e dedicou sua trajetória ao apoio de surdos, mudos e pessoas com deficiência (PCD). No cenário, o item divide espaço com a Estrela de Davi, símbolo de forte conexão com a base cristã e evangélica.
Michelle Bolsonaro criticou o próprio enteado e aliados do PL no vídeo?
- FATO. O vídeo em questão foi utilizado pela presidente do PL Mulher como uma forte manifestação política contra os rumos eleitorais do Partido Liberal (PL). Na gravação, ela criticou abertamente as articulações de lideranças da legenda — incluindo seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro, e o deputado André Fernandes — que tentam fechar uma aliança com o pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes.
O veto a Ciro Gomes e o racha no PL
A ex-primeira-dama relembrou ofensas históricas proferidas por Ciro contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos para justificar seu veto absoluto à composição no primeiro turno, classificando a aproximação como uma quebra de coerência ideológica. Ela defendeu, em vez disso, o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) e o lançamento de candidaturas aliadas na região.
Pragmatismo divide a cúpula
Apesar dos apelos e das críticas públicas de Michelle, a cúpula nacional do PL optou por não recuar do apoio a Ciro Gomes no Ceará. Dirigentes do partido afirmaram, sob reserva, que a aliança pragmática visa enfraquecer o PT em um estado estratégico e conta com o aval de Jair Bolsonaro.
Membros da legenda rebateram o posicionamento da ex-primeira-dama, argumentando que o "preciosismo ideológico" não vence eleições majoritárias e que as decisões partidárias seguirão critérios técnicos de viabilidade nas urnas.
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