Uma mensagem que circula desde a manhã desta quarta-feira, 1º de julho, em grupos de WhatsApp de Toledo, distorce uma ocorrência de violência doméstica atendida pela Polícia Militar.
No grupo, usuários compartilham a foto de um homem com a alegação de que ele "espancou a namorada" e "arrebentou a menina" hoje. Além da informação falsa, estão sendo divulgadas informações pessoais e a foto dos envolvidos, prática que expõe a vítima e prejudica a investigação. A informação é falsa, segundo o 19º BPM.
O que realmente aconteceu, segundo a PM
A Polícia Militar do Paraná foi acionada na manhã desta quarta-feira após uma mulher relatar que o ex-companheiro estava enviando vídeos descartando os pertences dela na via pública, além de proferir ameaças.
À PM, a vítima confirmou que foi agredida fisicamente pelo autor dias antes, durante uma discussão. Após decidir terminar o relacionamento e sair de casa, passou a ser intimidada. O ex-companheiro teria dito que ela “não se relacionaria com mais ninguém” e ameaçou danificar o imóvel se não reatasse.
A equipe do 19º BPM localizou o suspeito. Ele confirmou ter retirado os pertences da vítima da residência, alegando que depois os recolheu. Nada de ilícito foi encontrado com ele. O homem recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil.
Compartilhar foto e boato também é crime
O Setor de Comunicação da PM reforçou que não houve agressão física nesta quarta-feira. O caso de hoje se trata de ameaça e dano emocional/patrimonial.
A corporação alerta: quem compartilha fotos, nomes, telefones ou informações falsas sobre envolvidos em ocorrências pode responder criminalmente. A prática pode configurar crimes previstos no Código Penal, como:
- Difamação (Art. 139): Imputar a alguém fato ofensivo à sua reputação. Pena: detenção de 3 meses a 1 ano e multa.
- Calúnia (Art. 138): Imputar falsamente a alguém fato definido como crime. Pena: detenção de 6 meses a 2 anos e multa.
- Divulgação de informações sigilosas (Lei de Abuso de Autoridade) e crimes contra a honra na internet com aumento de pena.
Além de atrapalhar investigações e expor a vítima a novos riscos, a disseminação de fake news com imagem e dados pessoais revitimiza a mulher e prejudica o trabalho policial.
Canais de denúncia
Violência doméstica é crime. Denuncie pelo 190 (Polícia Militar) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). A denúncia pode ser anônima.
Para denunciar perfis que espalham fake news e expõem vítimas, procure a Delegacia de Crimes Cibernéticos ou registre pelo site da Polícia Civil do Paraná.