Uma discussão envolvendo o vereador Fão do Bolsonaro (PL) e o líder do governo na Câmara de Cascavel, João Diego (Republicanos), ganhou repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre o papel de fiscalização dos parlamentares municipais. O embate político teve início após a publicação de um vídeo em que Fão expôs um buraco em uma via na região norte da cidade, próximo a um supermercado atacadista, apelidando a situação ironicamente de “buraco sabor redutor”.
Durante o uso da tribuna em sessão legislativa, o líder do governo criticou publicamente a veiculação do material na internet. Sem citar o nome do colega de parlamento, João Diego afirmou que a postagem nas redes sociais tinha como objetivo ridicularizar a administração pública municipal, manifestando contrariedade com a postura adotada para expor o problema de infraestrutura urbana.
Fão do Bolsonaro tentou pedir um aparte para responder aos questionamentos no momento do discurso, mas o líder da bancada governista optou por dar continuidade à sua fala sem ceder o tempo. Posteriormente, o integrante do PL gravou um vídeo de resposta no qual acusou o colega de censura em plenário e defendeu que o apontamento de falhas e problemas nos bairros faz parte das obrigações constitucionais do cargo, pontuando que o parlamentar é pago para fiscalizar e não para omitir críticas ao Executivo.
Na mesma manifestação, o vereador da oposição argumentou que o gabinete já havia protocolado ofícios formais junto à administração municipal cobrando providências sobre pavimentação asfáltica há quase um mês. Ele citou ainda o caso de uma obra na Rua Poente do Sol, na região do bairro Brasmadeira, afirmando que os serviços no local encontram-se paralisados e que uma lona preta teria sido colocada para cobrir a placa de identificação do projeto.
O episódio trouxe novamente ao cenário público a discussão sobre as prerrogativas do Poder Legislativo. Conforme prevê a legislação vigente, cabe aos vereadores não apenas a elaboração e votação de projetos de lei, mas também a fiscalização ativa de contratos, o acompanhamento do cronograma de obras públicas e a intermediação das demandas comunitárias junto à prefeitura, independentemente do alinhamento político com a gestão de turno.
A reportagem acompanha o andamento dos requerimentos de obras e os posicionamentos oficiais das lideranças partidárias na Câmara Municipal de Cascavel.
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