A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) intensificou o alerta para a prevenção de acidentes com queimaduras no Paraná devido à proximidade das festividades juninas, período em que historicamente aumentam os casos de exposição ao fogo, fogueiras e líquidos quentes. Conforme o levantamento oficial emitido pelo órgão governamental, de janeiro a maio deste ano já foram contabilizados 507 internamentos hospitalares e 722 atendimentos de emergência realizados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) decorrentes de queimaduras no estado. O balanço do ano anterior apontou que 1.638 pessoas necessitaram de socorro urgente e outras 1.962 precisaram de hospitalização pelas mesmas causas.
As autoridades de saúde destacam que os principais riscos durante as celebrações de São João envolvem queimaduras de segundo grau localizadas na cabeça, tronco e membros superiores (mãos e braços), comumente provocadas pelo manuseio incorreto de fogos de artifício e aproximação perigosa de fogueiras. O secretário de Estado da Saúde, Cesar Neves, enfatizou a importância de aliar a manutenção das tradições culturais com protocolos de segurança rígidos para evitar incidentes graves que possam acarretar sequelas permanentes, limitações funcionais ou óbitos.
Em paralelo, o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Universitário de Londrina (UEL), que atua como unidade de referência na rede pública estadual, lançou as ações da campanha "Junho Laranja". A iniciativa é vinculada à Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) e faz alusão ao Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras, lembrado em 6 de junho. Neste ano, a campanha aborda o tema "Trabalho seguro sem queimaduras: Prevenção é o melhor equipamento de proteção”, direcionando o foco também para os acidentes registrados em ambientes corporativos e industriais.
Para o direcionamento dos primeiros socorros, a Sesa divulgou um protocolo de conduta técnica. Em lesões superficiais de primeiro grau, caracterizadas por vermelhidão, a recomendação é resfriar a área afetada com água corrente fria ou solução fisiológica por cerca de dez minutos. Em casos de segundo grau, marcados pelo surgimento de bolhas, a orientação médica é não rompê-las para evitar infecções. Já em episódios mais graves, classificados como de terceiro grau — causados por grandes extensões de fogo, produtos químicos ou eletricidade —, a população deve acionar imediatamente o Samu pelo telefone 192 ou o Siate (Corpo de Bombeiros) pelo 193. Até a chegada do socorro, orienta-se afastar a vítima da fonte de calor, retirar acessórios que possam estrangular os membros (como relógios e anéis) e cobrir a região com gaze ou pano limpo umedecido, sendo contraindicada a aplicação de gelo ou produtos caseiros.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza tratamento integral para pacientes queimados no Paraná, contando com uma infraestrutura de 35 leitos especializados regulados, divididos em 23 leitos cirúrgicos e 12 unidades de terapia intensiva (UTI). Os serviços de alta complexidade e internações prolongadas ficam concentrados de forma referencial no Hospital Universitário de Londrina e no Hospital Evangélico Mackenzie, em Curitiba, integrados à Rede Assistencial do Estado.
A reportagem apurou o fato com base nos dados estatísticos e notas técnicas de orientação preventiva publicados pela assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde.