O julgamento de Jorge Bezerra da Silva, 30 anos, no Tribunal do Júri, do Fórum Thomaz de Aquino, em Recife (PE), transformou-se em uma cena de terror para a família da vítima Priscilla Monnick Laurindo, 28 anos, assassinada a facadas em janeiro de 2022. O réu, que já cumpria prisão preventiva há três anos, aproveitou a audiência para lançar ameaças explícitas contra testemunhas e desafiar a Justiça, na última sexta-feira (25/07).
Assumindo postura provocativa desde sua entrada no plenário, Jorge fixou o olhar nos familiares de Priscilla antes de declarar friamente: "Vou mandar matar Vitória [irmã da vítima] mesmo da cadeia. Erraram da primeira vez, mas não vão errar de novo". Questionado pelo juiz se tinha consciência de que suas palavras constavam nos autos, respondeu com desdém: "Pode ser 100, 200 anos... Tô nem aí. Vou mandar matar mesmo".
De acordo com relatos da família, essa não foi a primeira vez que o acusado intimidou os parentes da ex-companheira. Durante seu período na prisão, ele teria enviado propostas de "acordo", condicionando seu afastamento da região ao arquivamento do caso - com ameaças veladas contra Vitória caso a família não aceitasse.
O magistrado Abner Apolinário da Silva, visivelmente impactado, declarou: "Em décadas de carreira, jamais presenciei tamanho desprezo pelo processo. Ele não apenas confessou a intenção de matar novamente, como o fez gritando, desafiando este tribunal".
Ao final do júri, Jorge foi sentenciado a 29 anos e 8 meses de reclusão por feminicídio, além do pagamento de indenização de R$ 15 mil à família. O caso expõe os riscos que persistem mesmo após a condenação de agressores.