O Laboratório Central do Estado (Lacen/PR), unidade vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), passou a realizar de forma direta os exames de biologia molecular (RT-qPCR) para a detecção do vírus da febre amarela em primatas não humanos (PNH). A mudança estrutural reduziu drasticamente o prazo para a liberação dos laudos técnicos, que caiu de uma média de 15 dias para um período de um a cinco dias úteis. O avanço tecnológico otimiza as ações de vigilância epidemiológica e confere maior celeridade às tomadas de decisão governamentais.
Anteriormente à implantação interna do serviço, todas as amostras coletadas em solo paranaense precisavam ser transportadas e processadas na sede da Fiocruz-PR. Com a nacionalização e descentralização do diagnóstico molecular na própria infraestrutura do Lacen/PR, o monitoramento ganhou agilidade na comunicação de dados para as secretarias municipais. O secretário de Estado da Saúde, César Neves, pontuou que a autonomia laboratorial reforça a eficiência no enfrentamento de arboviroses, permitindo que as equipes de campo atuem preventivamente com bloqueios vacinais e monitoramentos territoriais logo após a confirmação viral.
Na engenharia de saúde pública, bugios, macacos-prego e micos são classificados como animais sentinelas. Como eles são suscetíveis ao vírus, a detecção da doença ou a morte desses primatas indica precocemente a circulação da febre amarela em uma região geográfica, manifestando-se antes mesmo do registro de casos em humanos. O protocolo vigente determina que, ao localizar um animal debilitado ou morto, os técnicos realizem a coleta do material biológico em até 24 horas. Enquanto o Lacen/PR executa o teste molecular, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) atua de forma complementar na realização de análises histopatológicas e de imuno-histoquímica dos órgãos.
De acordo com o diretor técnico da Divisão de Vigilância Laboratorial do Lacen/PR, André Dedecek, a Fiocruz-PR mantém o papel de laboratório de referência regional. Dentro do novo fluxo estabelecido, todas as amostras que apresentarem resultado positivo para febre amarela no Lacen serão remetidas imediatamente à Fiocruz para a execução do sequenciamento genético, processo essencial para mapear mutações e rotas de dispersão do vírus. A diretora do Lacen/PR, Célia Fagundes da Cruz, associou a conquista aos investimentos recentes do Governo do Estado na reestruturação tecnológica da rede pública de diagnóstico.
Como meta para as próximas etapas do cronograma técnico, o laboratório planeja incluir a detecção do vírus Oropouche no mesmo fluxo analítico. A inovação científica permitirá identificar ambos os arbovírus por meio de uma única reação molecular.
A Sesa reforça publicamente que os macacos não transmitem a febre amarela para o homem; a contaminação em ciclos silvestres ocorre exclusivamente pela picada de mosquitos vetores infectados. Caso a população aviste primatas doentes ou mortos, a orientação é contatar imediatamente as autoridades sanitárias ou ambientais locais.
A reportagem apurou o fato com base nos relatórios técnicos de descentralização diagnóstica divulgados pelo Laboratório Central do Estado e pela Secretaria da Saúde do Paraná.