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Sabado, 25 de Abril de 2026
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Moleque Dançante: a história do garoto que arrumava o laptop de Neymar e hoje é auxiliar na Série B

Lucas Matheus começou no Santos como ajudante de tecnologia, virou analista de desempenho, tirou as licenças da CBF e da Uefa e fez até estágio com Pep Guardiola

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Por Qual a Boa Notícias
Moleque Dançante: a história do garoto que arrumava o laptop de Neymar e hoje é auxiliar na Série B
Foto:Reprodução/GE
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Lucas Matheus, auxiliar técnico do Novorizontino, adversário do Santos nesta sexta-feira, pela nona rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, é um antigo conhecido do time da Vila Belmiro.

Se hoje o profissional de 30 anos tem em seu currículo licenças na CBF e na Uefa, estágio com Pep Guardiola no Manchester City e um período como analista de desempenho no Peixe, o começo de carreira teve muito perrengue e uma ajuda fundamental de Neymar.

O "Moleque Dançante", apelido que ganhou nos bastidores do Santos por ter mostrado ginga quando os jogadores ligavam o som no vestiário, deixou o interior de Goiás ainda criança para tentar seguir os passos do primo Crystian, lateral-direito nas categorias de base do time alvinegro.

Atualmente, o parente de Lucas continua dentro de campo, agora no Aparecidense, de Goiás, enquanto o Moleque Dançante fez uma carreira diferente.

 

O começo de tudo
Em meados de 2010, aos 16 anos, Lucas se dividia em dois turnos.

O primeiro era em um dos campos do CT Rei Pelé, enquanto brigava pelo seu sonho de ser jogador. O segundo, à tarde, era como técnico de informática. Antes, ainda em Goiânia, o garoto se virava para ajudar os pais com alguns "bicos" como faz-tudo em computadores e aparelhos eletrônicos.

Foi isso que o aproximou de Neymar e cia.

No Santos, ele se tornou uma espécie de anjo da guarda do craque do Al-Hilal e de jogadores como Ganso, Léo, Arouca, Danilo e Edu Dracena. O time que encantou o Brasil ao vencer o Paulistão e a Copa do Brasil de 2010 e também a Libertadores em 2011 era todo de clientes do Moleque Dançante.

– Quando acabava o treino da base, eu ia para o profissional para poder visitar o meu primo, acompanhar o treino. Ao mesmo tempo, comecei a divulgar a minha segunda atividade. Os atletas que precisavam de assistência nos computadores pessoais começaram a me contratar. Comecei a ter meus primeiros clientes no CT Rei Pelé (risos). Eles me ajudavam com uma quantia em dinheiro, e eu guardava para ajudar a minha família em Goiânia – lembrou, ao ge, o auxiliar do Novorizontino.

 

O "bico" como assistente de informática fez Lucas Matheus, ainda adolescente, se tornar quase o responsável pelos seus pais, em Goiânia.

O vício deles em drogas foi um dos motivos para o garoto sair de casa em busca de uma vida melhor. No meio do caminho, encontrou uma maneira de ajudá-los.

– A droga tem destruído famílias brasileiras e não foi diferente comigo. Desde pequeno, presenciei meus pais venderem coisas dentro de casa para manterem seus vícios, a ponto de chegar em casa e só ter o sofá para sentar, sem saber onde meus pais estavam. Prometi para mim mesmo que não voltaria de mãos abanando e ajudaria eles a se livrar desse vício de alguma forma.

– Com a minha irmã muito pequena, qualquer ajuda financeira que eu enviasse ajudaria dentro de casa, caso meus pais não conseguissem trabalho ou gastassem dinheiro com o vício deles. Pelo menos ajudaria a cuidar da minha irmã – falou Lucas Matheus.

Crystian, porém, foi embora. O garoto, então, acabou sozinho em Santos. O sonho de se tornar jogador de futebol já estava distante. E parecia que se tornaria um pesadelo. Entrou em cena, então, um novo "pai" para Lucas Matheus: o atacante Neymar. Já craque no futebol brasileiro, campeão da Libertadores e na mira de gigantes europeus, o jogador do Peixe "adotou" o menino.

– O Neymar, sua família e seus amigos me ajudaram. Foi um período em que meu primo se transferiu do Santos e eu fiquei sem ter onde morar. Como eu não ganhava muito e o que eu ganhava dos serviços particulares eu mandava para Goiânia, não tinha dinheiro suficiente para alugar nem um quarto. Foi aí que entrou o Neymar, sua mãe, Nadine, que tem um coração gigante, e se dispuseram a me ajudar. Minha relação com eles sempre foi de muito respeito, até porque ele já era uma realidade no futebol nacional 
– contou Lucas.

A chance no futebol
Os "bicos" como técnico de informática, com o passar do tempo, se tornaram um caminho para Lucas Matheus seguir no futebol. Em 2013, o preparador de goleiros do Santos, Arzul, teve uma ideia para ajudar ainda mais o garoto: durante os jogos do Peixe, ele anotaria todas as ações dos goleiros (passes, defesas, lançamentos, posse de bola, cruzamentos interceptados...).

– Eu assistia ao jogo literalmente olhando só para o goleiro, na época Rafael, Aranha e Vladimir. Após o jogo, eu passava tudo o que tinha rabiscado para esse relatório, fazia a impressão e no outro dia entregava ao Arzul – contou.

 

Nessa época, muito querido por quem frequentava o CT Rei Pelé, Lucas Matheus ganhou seu primeiro notebook. O lateral-esquerdo Léo, comovido com o esforço do garoto, decidiu presenteá-lo com o equipamento que mudaria sua vida.

– É muito gratificante você ver aquele menino chegar aqui cheio de sonhos, querendo trabalhar, procurando uma oportunidade, e você de alguma forma poder ajudar. Você hoje vê ele sendo respeitado, estando numa equipe que está dando uma ênfase na sua carreira. Ficamos muito felizes e torcemos muito para que ele continue crescendo. Sempre foi muito inteligente, procurou ser muito atento a tudo, então não me gera nenhuma surpresa estar vivendo esse momento muito bom na sua carreira. Torcemos para que ele continue assim, procurando espaço, sempre crescendo e revolucionando o futebol – contou Léo.

Com seu novo notebook, Lucas Matheus montou um banco de dados. Isso fez com que Arzul, até hoje preparador de goleiros do Santos, montasse treinos específicos para melhorar o desempenho dos goleiros santistas.

Em 2014, Lucas Matheus recebeu uma proposta para largar de vez o sonho de ser jogador de futebol. Oswaldo de Oliveira, técnico do Peixe à época, seu filho Gabriel Oliveira, analista de desempenho, os dirigentes André Zanotta, Sérgio Dimas e Zinho, além do scout Sandro Orlandelli, se reuniram com o garoto e ofereceram um cargo na comissão técnica.

– Na hora eu até achei que fosse brincadeira. Disse a eles apenas para liberarem o refeitório para quando eu estivesse por lá, porque muitas das vezes eu não almoçava ou jantava enquanto ficava arrumando os computadores dos atletas ou fazendo o relatório do Arzul. Fui para casa refletir sobre a proposta, fiz uma oração e agradeci a Deus. Decidi mergulhar naquela oportunidade. No outro dia de manhã eu estava esperando na recepção do CT Rei Pelé, com minha carteira de trabalho em mãos – disse o auxiliar do Novorizontino.
O resultado
Começava, ali, mais uma aventura da vida de Lucas Matheus.

Inspirado nos "tutores", como ele mesmo denomina, Sandro Orlandelli e Gabriel Oliveira, o garoto buscou mais conhecimento. Com seu primeiro salário, matriculou-se em cursos de análise de desempenho, começou a estudar inglês...

A presença de ídolos do Santos no dia a dia do CT Rei Pelé, lembra o auxiliar, também foi importante.

Lucas Matheus trabalhou na comissão técnica do Peixe de 2014 a 2019, quando deixou o clube para trilhar novos caminhos. Antes disso, em 2018, ele já tinha tido a primeira experiência internacional. Com a ajuda do lateral-direito Danilo, hoje na Juventus, o analista de desempenho viajou à Inglaterra para conhecer Pep Guariola e o Manchester City.

– O Danilo me deu a passagem de presente, e os atletas do Santos na época fizeram uma vaquinha e pagaram minha hospedagem no centro de Manchester. Eu achei que assistiria a um, dois treinos e voltaria ao Brasil. Após conhecer Carles Planchart, analista e auxiliar do Pep, contei sobre minha história e a possibilidade de conhecê-los. Ele me convidou para assistir aos treinos durante duas semanas.

– Às vezes, eu ficava tão constrangido por tamanha oportunidade, que me escondia atrás de algumas árvores secas ao redor do campo de treinamento. Não queria incomodar a comissão durante a sessão de treinos, mas sempre os auxiliares brincavam comigo e me chamavam para sentar ao lado deles. Sempre que me perguntavam algo, eu respondia baixo e rápido para não atrapalhar a concentração. Eu vi que o futebol naquele nível era algo que todo clube precisava vivenciar. Algumas das muitas coisas incríveis que eu vi eu tentei aplicar nos clubes por onde passei – contou.

 

Depois de deixar o Santos, Lucas Matheus acumulou experiência pelo Brasil.

Como analista de desempenho ou auxiliar técnico, trabalhou no Água Santa, no Oeste (Barueri), no Imperatriz (Maranhão), no Figueirense (Santa Catarina), no Retrô Brasil FC (Recife), no SKA FC (Santana Parnaiba), no CRB (Alagoas) e, agora, no Novorizontino (São Paulo).

– Costumo dizer que eu estou construindo minha carreira sendo um pouco de cada treinador com quem eu trabalhei e também outros que tive a oportunidade de conhecer. O que acho legal é que cada treinador tem sua forma de pensar, contribuir, executar... Isso torna o nosso futebol muito forte. Até aqui, trabalhei com 20 treinadores. Pretendo trabalhar com muito mais, conhecer filosofias, personalidades singulares. Não há receita para ganhar jogos, mas métodos diferentes. Gosto muito de estudar futebol internacional e explorar nossa cultura futebolística – explicou.

Mas por que Moleque Dançante?
Enquanto ainda dava seus primeiros passos na análise de desempenho, Lucas Matheus era muito querido por jogadores e funcionários do Santos no CT Rei Pelé. O garoto, tímido, só se soltava em um momento: quando ligavam o som.

Cheio de molejo, o agora auxiliar técnico do Novorizontino fazia sucesso no vestiário do CT Rei Pelé, nas comemorações de vitórias e em momentos descontraídos.

– Essa história me rendeu já muitas perguntas (risos). Isso foi durante 2015 e 2016. O Dorival, uma vez, me pegou para dançar no vestiário naqueles momentos de celebração pós-vitória. Depois, veio outra vitória e ele me colocou de novo para dançar. O "problema" foi que o time começou a ganhar muitos jogos e a Santos TV sempre gravava esses momentos. Começaram a me chamar de "moleque dançante". Alguns atletas até hoje lembram desse episódio.

Fato! Se você perguntar de Lucas Matheus no Peixe, quem o conheceu dirá: é o Moleque Dançante.

 

 

 

 

 

FONTE/CRÉDITOS: GE
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