Uma megaoperação da Polícia Civil do Paraná (PCPR), deflagrada nas primeiras horas desta terça-feira (30), desarticulou uma associação criminosa especializada em assaltos e furtos patrimoniais no interior de ônibus do transporte coletivo de Curitiba. A ação contou com apoio aéreo de um helicóptero da instituição e resultou na prisão preventiva de 12 pessoas.
As equipes policiais saíram às ruas para cumprir 12 ordens de prisão e 27 mandados de busca e apreensão. Os alvos foram localizados em endereços espalhados pela capital paranaense e em municípios da Região Metropolitana, incluindo Piraquara, Pinhais, Campo Largo, Colombo e Fazenda Rio Grande, além de ramificações identificadas na cidade de Londrina, no Norte do Estado. Nos locais visitados, foram apreendidos dezenas de celulares, cartões bancários em nome de terceiros e maquininhas de cartão portáteis.
A engenharia da distração e o foco em idosos
A operação é o resultado de uma investigação minuciosa iniciada em fevereiro deste ano para apurar os crimes de associação criminosa, roubo, furto qualificado, estelionato e receptação. O trabalho de inteligência foi realizado em parceria com a Urbs (Urbanização de Curitiba), empresa que gerencia o transporte público da capital.
Após colher o depoimento de mais de 55 vítimas, a PCPR desvendou a tática do bando. Os criminosos atuavam em núcleos de quatro a dez indivíduos e escolhiam majoritariamente idosos como alvos.
“Os criminosos provocavam deliberadamente tumultos e esbarrões nos momentos de maior aglomeração, como nos fluxos de embarque e desembarque. Em determinadas ocasiões, promoviam a queda de objetos ao chão para desviar totalmente a atenção do alvo”, explicou o delegado Thiago Mendes.
Enquanto parte do grupo realizava um cerco físico usando a superioridade numérica para anular a visão da vítima e de testemunhas, o executor principal usava jaquetas, moletons ou mochilas à frente do corpo para camuflar as mãos enquanto limpava bolsas e bolsos. Logo após o furto, os objetos eram repassados rapidamente entre os integrantes para evitar o flagrante. No caso de celulares, os chips eram arrancados na hora para impedir o rastreamento.
Compras por aproximação e fraude na biometria
De posse dos cartões de crédito e débito das vítimas, os criminosos passavam a efetuar múltiplos lançamentos e compras na modalidade por aproximação, limitando os valores a até R$ 199,00 por transação para burlar a exigência de senha antes que o titular bloqueasse o cartão. Em alguns casos, eles usavam as próprias maquininhas portáteis para passar o dinheiro de forma instantânea.
O bando também utilizava os cartões-transporte de isenção subtraídos dos idosos para circular de graça pelas linhas de ônibus. Para evitar o sistema de biometria facial das catracas — que tira fotos dos usuários em tempo real —, os suspeitos usavam bonés, capuzes, óculos escuros e chegavam a colocar os dedos na lente da câmera do validador.
Tecnologia e monitoramento
Apesar das tentativas de esconder o rosto, a identificação dos envolvidos foi possível graças ao cruzamento de dados e ao compartilhamento de imagens das câmeras de segurança instaladas nas estações-tubo, terminais e veículos pela Urbs.
O presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, enfatizou o impacto da ação. "A operação realizada pela Polícia Civil com o apoio do nosso Centro de Controle Operacional é muito importante. Vamos estreitar cada vez mais essa parceria com as forças de segurança para garantir que os passageiros façam suas viagens com total tranquilidade", pontuou.
A PCPR orienta que outras pessoas que tenham sido vítimas deste grupo procurem a delegacia mais próxima para registrar o boletim de ocorrência, ou façam o registro de forma digital por meio do portal da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil.