A Justiça de Cascavel concedeu liberdade provisória ao motorista da carreta envolvida no atropelamento que resultou na morte de Carlos Eduardo Camargo dos Santos, de 12 anos, na tarde de domingo, 7, no Bairro Morumbi. A decisão foi assinada nesta segunda-feira, 8, pela juíza Filomar Helena Perosa Carezia, da 1ª Vara Criminal de Cascavel.
O acidente aconteceu no cruzamento das ruas Serra da Borborema e Serra do Vento. O adolescente foi atingido durante uma manobra realizada pela carreta e morreu ainda no local. O motorista foi preso em flagrante após teste do etilômetro apontar 0,67 miligrama de álcool por litro de ar expelido pelos pulmões.
Na decisão, a magistrada homologou a prisão em flagrante, mas entendeu que não estavam presentes os requisitos necessários para a conversão da medida em prisão preventiva. A Justiça considerou que o investigado é tecnicamente primário, não possui antecedentes criminais relevantes e que o caso, até o momento, é tratado como crime de trânsito culposo.
Apesar da liberação, o motorista deverá cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça. Entre elas estão o comparecimento a todos os atos processuais, a proibição de frequentar bares, boates e locais onde haja venda de bebidas alcoólicas ou substâncias entorpecentes, além da proibição de deixar a comarca por mais de oito dias sem autorização judicial.
A decisão também determinou o uso de tornozeleira eletrônica por um período inicial de 90 dias, com monitoramento previsto até 8 de setembro de 2026.
Durante depoimento à Polícia Civil, o motorista afirmou que não percebeu o atropelamento no momento em que ocorreu. Segundo ele, só tomou conhecimento do acidente após ser abordado por policiais algumas quadras adiante. O condutor relatou que a vítima estaria em um patinete e alegou que não conseguiu visualizá-la durante a conversão devido às características do veículo.
Questionado sobre o consumo de álcool, o motorista confirmou ter ingerido cinco cervejas durante o almoço antes de iniciar o trabalho. Ele afirmou que descansou por algumas horas antes de sair para dirigir.
A defesa sustenta que o motorista permaneceu no local após ser avisado por populares, colaborou com as autoridades e realizou espontaneamente o teste do etilômetro. Também argumenta que será necessário comprovar, durante a investigação, a relação direta entre a ingestão de álcool e o acidente.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil de Cascavel. O Ministério Público deverá se manifestar nos autos, enquanto o inquérito prossegue para apuração completa das circunstâncias do atropelamento.