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Domingo, 01 de Novembro 2026
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Incra tenta mediar conflito agrário em fazenda ocupada pelo MST no Noroeste do Paraná

Disputa em Perobal envolve famílias de posseiros, movimento social e decisão judicial sobre reforma agrária.

Qual a Boa Notícias
Por Qual a Boa Notícias
Incra tenta mediar conflito agrário em fazenda ocupada pelo MST no Noroeste do Paraná
Foto: Reprodução
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Uma disputa agrária mobiliza órgãos federais e movimentos sociais na Fazenda Tiburi, também conhecida como Fazenda Agro Felicetti, localizada na Estrada Pinhalzinho, em Perobal, na região de Umuarama. O conflito envolve integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, famílias de posseiros que vivem na área e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, que atua para evitar confrontos e buscar uma solução negociada.

Na sexta-feira (16), uma representante do setor de conciliação agrária do Incra esteve no local para intermediar as conversas após a chegada de dezenas de famílias ligadas ao MST. Segundo o coordenador regional do movimento, Ireno Prochnow, cerca de 300 pessoas estão atualmente acampadas na área, após a desmobilização do acampamento Benedito Gomes, em Umuarama, que reunia mais de 500 famílias cadastradas desde outubro de 2025.

Mudança de acampamento e novo foco de tensão
A intensificação do conflito ocorreu após a desocupação de uma propriedade rural em Xambrê, determinada pela Justiça. Com a retirada de outros movimentos sociais da área, o MST decidiu transferir seu acampamento para Perobal, alegando receio de que a fazenda fosse ocupada por grupos distintos antes da destinação oficial para a reforma agrária.

Atualmente, o movimento ocupa uma faixa marginal da Fazenda Tiburi, em entendimento prévio com o Incra. O acordo estabelece a permanência das famílias em uma área entre quatro e seis alqueires, sem interferência nas lavouras existentes. Os posseiros notificados têm prazo de 30 dias para realizar a colheita e retirada das plantações.

Notificações e tentativa de acordo
Na quinta-feira (15), representantes do Incra, acompanhados por agentes da Polícia Federal, realizaram a notificação administrativa de duas famílias de posseiros para desocupação voluntária do imóvel no prazo de 30 dias. No dia seguinte, a conciliadora agrária Josiane Aparecida Grossklaus retornou à fazenda para ouvir as partes e tentar estabelecer um acordo que evite o agravamento da situação.

Segundo a representante do Incra, a notificação cumpre determinação judicial e está alinhada às normas que regem a destinação da área ao Programa Nacional de Reforma Agrária. A implantação do assentamento, no entanto, só poderá ocorrer após o encerramento do prazo concedido aos posseiros.

Durante as tratativas, o MST reiterou a reivindicação para que a área seja oficialmente incorporada ao plano de reforma agrária e assumiu o compromisso de não ocupar áreas produtivas nem restringir a circulação dos moradores. Uma das famílias de posseiros aderiu ao acordo de não agressão, enquanto a outra optou por aguardar orientação jurídica.

Posseiros alegam direito adquirido
Entre os notificados está o produtor rural Leonardo dos Santos Felicetti, de 47 anos, que afirma viver na fazenda desde 2006. Ele relata que cultiva mandioca, mantém moradia fixa no local e investiu ao longo dos anos em infraestrutura agrícola.

Segundo Felicetti, o Incra reconheceu formalmente sua posse em 2021, mas o ato foi posteriormente questionado pelo Ministério Público. O processo aguarda análise do Superior Tribunal de Justiça. O produtor afirma temer perder a propriedade onde construiu sua história familiar ao longo de quase duas décadas.

Monitoramento policial e próximos passos
Apesar do aumento da tensão com a chegada de novas famílias do MST, até sábado (17) o cenário permanecia controlado, com acompanhamento do 25º Batalhão da Polícia Militar. Em nota, o Incra informou que seguirá monitorando a situação e que, após a desocupação, dará andamento ao projeto de assentamento para agricultores familiares.

A decisão que determinou a notificação dos posseiros foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Mesmo com recurso pendente, a sentença pode ser executada, já que a apelação não possui efeito suspensivo.

O MST aguarda que, cumpridos os prazos legais, o Incra formalize o assentamento das famílias acampadas. A liderança regional reforçou que o movimento aposta na negociação e na solução pacífica do impasse.

FONTE/CRÉDITOS: Portal O Bemdito

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