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Sexta-feira, 24 de Julho de 2026
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Fiscalização revela mais de 7 mil acidentes de trabalho não registrados em frigorífico no Oeste do Paraná

Relatório do MPT aponta “epidemia silenciosa” e levanta alerta sobre riscos à saúde de trabalhadores.

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Por Qual a Boa Notícias
Fiscalização revela mais de 7 mil acidentes de trabalho não registrados em frigorífico no Oeste do Paraná
Foto: Reprodução
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Uma fiscalização realizada no fim de março revelou um cenário alarmante em um frigorífico localizado no Oeste do Paraná. De acordo com documento do Ministério Público do Trabalho (MPT), acessado pela reportagem, a empresa, sediada em Medianeira, deixou de registrar mais de 7 mil casos de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, todos sem a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).

O caso expõe o que especialistas classificam como uma possível “epidemia silenciosa” no setor, colocando em risco a saúde de milhares de trabalhadores. A situação gerou grande repercussão em Cascavel e em toda a região Oeste, especialmente diante de relatos semelhantes envolvendo outros frigoríficos.

Para discutir o tema, foram ouvidas as advogadas Patrícia Compagnoni e Patrícia Marchiori, que orientaram trabalhadores sobre seus direitos. Segundo dados da força-tarefa, foram identificados 7.094 casos sem registro formal — um número que, para especialistas, revela um problema estrutural grave.

De acordo com Patrícia Compagnoni, a ausência da CAT impede o trabalhador de acessar direitos fundamentais. “A não comunicação do acidente faz com que o trabalhador perca a oportunidade de obter benefícios como auxílio-doença acidentário e até auxílio-acidente, em caso de sequelas”, explicou. Ela ressalta ainda que a falta do registro dificulta o reconhecimento de doenças ocupacionais. “Sem a CAT, é como se o acidente não tivesse existido”, afirmou.

A fiscalização também apontou que nenhuma CAT foi emitida em casos de doenças ocupacionais, o que agrava ainda mais a situação. Para Patrícia Marchiori, o cenário é “extremamente alarmante”, já que envolve milhares de trabalhadores sem assistência. “Estamos falando de uma realidade que sequer aparece nos dados oficiais”, destacou.

Entre as principais consequências da subnotificação estão a dificuldade de acesso a benefícios previdenciários, perda de estabilidade no emprego e até prejuízos em possíveis indenizações. Compagnoni reforça que a emissão da CAT é obrigação da empresa e deve ser exigida pelo trabalhador.

Marchiori orienta que, em caso de acidente, o trabalhador procure atendimento médico imediato e informe que se trata de acidente de trabalho. “Se a empresa se recusar a emitir a CAT ou orientar a omissão, isso não deve ser aceito, pois prejudica diretamente o trabalhador”, alertou. Ela também recomenda buscar apoio do sindicato para evitar que o caso fique oculto.

Outro ponto crítico identificado pela fiscalização foi a exposição de 69 trabalhadoras gestantes a níveis elevados de ruído, acima do limite considerado seguro.

Além da subnotificação, foram constatadas falhas na ergonomia, ritmo intenso de trabalho, deficiência na proteção de máquinas e riscos relacionados ao uso de amônia — problemas frequentemente associados ao setor frigorífico.

Compagnoni explica que doenças ocupacionais costumam ter evolução lenta, o que torna ainda mais importante o registro adequado. “Sem a CAT, a empresa pode alegar que o problema é degenerativo, dificultando o reconhecimento da relação com o trabalho”, afirmou.

Já Patrícia Marchiori destacou que, após a divulgação do caso, houve aumento na procura por orientação jurídica por parte de trabalhadores de outros frigoríficos. “Muitos relataram situações semelhantes e pediram que outras unidades também sejam investigadas”, disse.

Ao final, Compagnoni ressaltou a gravidade das irregularidades identificadas e alertou para práticas como orientar trabalhadores a não informarem a origem ocupacional dos atendimentos médicos. “Essa omissão é extremamente grave e prejudica diretamente o trabalhador”, afirmou.

As especialistas reforçam que trabalhadores que se sintam lesados devem buscar orientação jurídica especializada para garantir seus direitos e contribuir para o combate a irregularidades no setor.

FONTE/CRÉDITOS: CGN
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