Mais uma semana que se inicia com troca de farpas na Câmara de Vereadores de Cascavel. Desta vez o assunto escolhido na sessão desta segunda-feira (17) foi a rivalidade entre vereadores de Direita e de Esquerda com falas gritantes como a do Vereador Fão do Bolsonaro (PL) e falas calmas como a do Vereador Edson Souza (MDB) que criticou até o vice-prefeito por participar da manifestação realizada no último domingo (16).
A Vereadora Bia Alcântara, do PT, abriu os discursos sobre as manifestações relembrando o que aconteceu no dia 8 de janeiro de 2023 passando um arquivo para que os eleitores relembrassem o ocorrido. Ela ressaltou que após a derrota do Ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, mais de quatro mil pessoas apoiadoras foram até Brasília com o pretexto de que seria uma manifestação pacífica.
“Os resultados disso foram esses muitos vidros quebrados, poltronas quebradas, materiais roubados inclusive. E aí eu gostaria de trazer alguns valores do que foi depredado nesse dia. Vejam bem, gente, no plenário houve um prejuízo de mais de R$ 12 milhões para os cofres públicos. Inclusive, na casa legislativa, todo o gasto totalizou mais de R$ 236 mil”.
Ela comparou os valores com o que foi gasto pelos cofres públicos da prefeitura ao organizar carnaval em Cascavel, que segundo ela, foi o maior carnaval ocorrido no município em muitos anos.
“O que a gente observou nessas manifestações de ontem pelo Brasil foi um número bem menor de pessoas do que era esperado pela organização, tanto aqui em Cascavel quanto nas grandes capitais. Isso demonstra que os brasileiros não querem mais ser associados com os golpistas. Inclusive, é importante ressaltar que hoje mais de 500 pessoas que foram indiciadas assumiram sua culpa para não passar por julgamento, fizeram acordo com a PGR” continuou a vereadora.
Ela relembrou que em novembro de 2024, o Bolsonaro e mais 36 pessoas foram indiciadas por tentativa de golpe.
“O que eu gostaria de ressaltar nessa manhã é sobre as nossas lideranças, principalmente aqui de Cascavel, tanto vereadores como outras do nosso município, que seguem afirmando que não foi grave o que houve aqui no Brasil. Que essa tentativa de golpe não é relevante, que as pessoas não merecem ser punidas. E, inclusive, um grande erro que aconteceu no nosso país foram as pessoas não terem sido punidas devidamente pela nossa ditadura aqui no Brasil. Mas, o que eu sinto é que essas pessoas que seguem ao lado dos golpistas, é que eles têm a ilusão de que, caso realmente tivesse havido um golpe de Estado, essas pessoas estariam ao lado dos militares, tendo aí os mesmos privilégios que ele” disse.
Ela ressaltou que no caso dos apoiadores do golpe, os mesmos não teriam sido eleitos democraticamente através das urnas eletrônicas e estariam ao lado dos militares caso o golpe tivesse se concretizado.
“Enquanto nós, petistas, pessoas de esquerda, pessoas LGBTs também, as pessoas negras, todas as minorias essas que eles pensam que não fazem parte e que não são cidadãos de bem, estariam por baixo, embaixo das suas botas. Então, essa análise que eu trago hoje é para que a gente pense em quem são as pessoas que ainda apoiam esse absurdo que aconteceu no dia 8 de janeiro. Muito obrigada” finalizou a vereadora.
O Vereador Contador Mazutti (PL) abriu mão da palavra que foi repassada para o Vereador Fão do Bolsonaro do PL que aos gritos continuou as falas sobre o mesmo assunto.
“Eu queria comentar aqui sobre um assunto e parabenizar a população de Cascavel que fez um show da democracia ontem aqui em frente à nossa Praça da Bíblia. Pessoas que defendem os valores éticos, morais e cristãos da família, independente de posicionamento político. Porque, quando a vereadora Bia acabou de falar aqui, dá prejuízo ao poder público, quando o MST invade uma propriedade privada que produz, quem paga a área pelo INCRA? Dinheiro público. Não é dinheiro privado, é dinheiro público que poderia se investir em saúde, educação e segurança pública”.
Fão do Bolsonaro continuou os discursos parabenizando os vereadores que estiveram presentes no ato e também os Deputados Márcio Pacheco e o deputado federal Nelsinho Padovani que estiveram no palanque.
“Eu sei que tem muita gente que ontem tinha outros compromissos, inclusive com a família, mas esse é o primeiro de muitos que virão, porque como, vereadora Bia, como que as pessoas vão conseguir se expressar se o nosso judiciário não permite? Agora, a senhora tem que lembrar que o PT invadiu e quebrou tudo mais de quatro vezes. Isso é público e amanhã eu vou falar na minha fala isso. Então, mesmo peso e mesmas medidas para os dois. Agora, a senhora acha justo, vereadora Bia, uma mãe de família, vereadora, com dois filhos menores de idade, que pintou com o batom o STF ser condenada a 17 anos de cadeia, enquanto a maior quadrilha de corrupção do Brasil foi isenta da responsabilidade”.
Fão do Bolsonaro continuou o discurso falando que os presentes na manifestação só queriam defender aquilo que pensam e que os dois lados precisam ser julgados da mesma forma. Acusou o Deputado Federal André Janones (Avante) de canalha e ladrão e afirmou que se algum vereador for pego fazendo rachadinha terá o mandato cassado.
“Tem um canalha, ladrão, André Janones, que pegou dinheiro de rachadinha. E se eu pegar, vereador, fazendo rachadinha, deputado, nós vamos caçar o mandato. Agora, se fosse de direita, estava caçado. É de esquerda, ele fez um acordo para pagar parcelado. Agora, eu sou o radical. Tem que ter fala mansa. A gente tem que ter mais controle, mais equilíbrio, quando se trata de um político ladrão, um vagabundo. E quem não gosta de mim, eu quero é que se lasque”.
Ainda exaltado falou que está fazendo o certo que foi ensinado pelo pai e pela mãe em casa. Afirmou ainda que jamais precisará ser retirado da cadeia por esquema de corrupção.
“Aonde tem assassino no Congresso Nacional. Elas vão falar, você é muito radical. Então, vereadora Bia, você quer dizer para mim que um político que desvia dinheiro da saúde não é um assassino? Porque se o dinheiro não chega lá na ponta, é por quê? Porque esse canalha desviou. Se morre gente, é culpa de quem? Por que que esses canalhas não são responsabilizados? Hoje eu estou aqui na Câmara Municipal de Cascavel para incentivar, os bons a participar, independente de posicionamento político, vereadora Bia. O que é certo é certo, o que é errado é errado. E o STF está fazendo um serviço que não é dele” finalizou o vereador.
O Vereador policial Madril, do PP, iniciou as falas cumprimentando os vereadores presentes e questionando os vereadores ausentes na sessão que deveria ser obrigação.
“Por que eu faço questão de falar o nome dos vereadores que estão na sessão? Porque toda época de eleição é 300, 400, 450 candidatos, e todo mundo falando mal dos vereadores que estão aqui para tentar ganhar uma vaga. E muitos ganham, é lógico que a gente sabe que cada um tem um compromisso, mas nós temos a sessão, o compromisso de estar na câmara, que eu sempre falo que é segunda e terça na sessão e alguma reunião da comissão, mas o cara começa, chega às nove, quando dá nove e meia, dez horas, já está louco para ir para casa, lógico que está o vereador Everton ali. Então, tem que analisar melhor” questionou o vereador.
Ele continuou o discurso falando que quando entrou para a Polícia Militar precisou estudar quando poderia prender pessoas ou não e que tudo dependia muito da vítima e fez um comparativo com Direita e Esquerda na política.
“Quando você fala de direita e esquerda, infelizmente, quando fala de direita, acho que é do Bolsonaro, quando fala de esquerda, é do Lula. E eu vou falar bem a verdade, eu conheço muita gente que vota no Lula, mas não vota no PT. Quando você fala de coisa certa ou errada, a pessoa falar que o Lula não é ladrão, nem o maior PT-zista do mundo dá para discutir, porque a gente sabe que foi provado, foi comprovado, mas aí a gente tem que analisar que tem advogado que estudou, achou um erro no processo, depois viu que foi condenado e preso em segunda instância e poderia ter recorrido para ir em terceira instância, e quando ajudou o Lula, ajudou muitas pessoas” explicou.
Madril disse que é necessário olhar para a frente e não ficar no passado. Segundo ele, pessoas que representam a direita são equilibradas, como o Governador de São Paulo que tem um grande número de eleitores e condições de ganhar a política e fazer algo justo.
“Eu vejo as atitudes, as ações, por exemplo, em São Paulo, na época da campanha do Tarcísio Genrro, teve uma situação de algumas pessoas que morreram próximo ao local que ele estava fazendo um evento, e em nenhum momento ele falou que aquelas pessoas estavam ali para fazer um atentado contra ele. Se fossem outros políticos, já ia ser um atentado contra ele, ia fazer a maior politicagem em cima. Então a gente tem que ter pessoas que trabalham com mais coerência, com mais inteligência” disse Madril.
Ele falou quem em 2018 foi candidato a deputado e muitos deputados teriam ganhado as eleições simplesmente por fazer o sinal de arminha ao lado de Bolsonaro e por falar que tinham raiva de bandido e que muitos candidatos que eram ligados a área da segurança pública.
“E todos aqueles candidatos lá que matavam, picavam e bordavam nunca participaram, nunca responderam ao inquérito por confronto. Então o cara que vem aqui falar que matou, picou, prendeu, ele tem que mostrar o histórico dele, senão, para mim, passa do mentiroso e quando eu vejo as pessoas mentindo, eu começo a passar mal, porque eu vejo que as pessoas mentem e os outros ouvem a mentira e não conseguem pesquisar a vida da pessoa para falar. Por isso, quando o Fão fala aqui, eu respeito o Fão, porque sei que é uma pessoa que trabalha certo. Quando a gente vê falar de mal de político, eu não defendo, só se falar por nome, porque tem bastante político bom, mas a grande maioria, a gente sabe que não são pessoas que representam a população”.
Ele finalizou a fala dizendo que a população precisa ser mais crítica quanto a isso, pesquisar quantas indicações os vereadores fizeram, quantos requerimentos, projetos e se gastou ou não gastou o dinheiro público.
“Então a população que tem que ser mais elitizada, saber escolher e saber valorizar as pessoas, as pessoas que realmente trabalham. Então por isso que eu respeito a opinião de todo mundo, quando a pessoa começa a falar de direita e esquerda, eu falo, vê a pessoa que está falando, não vê o partido. Todos os partidos têm as pessoas boas e todas as pessoas têm as pessoas ruins. É lógico que nos últimos anos foi muito preso muito mais gente dos partidos de esquerda, então a gente tem que ficar atento sempre à conta isso. Era isso, seu presidente” finalizou o Vereador Madril.
O vereador Edson de Souza, do MDB, agradeceu as presenças e começou as críticas sobre o assunto dando continuidade a discussão do Vereador Fão do Bolsonaro.
“Eu acho, vereador Fão, que a extrema-direita ela tem uma visão seletiva das coisas, desde que seja para o lado deles, pode, não sendo para o lado deles, não pode. Vamos dizer, o André Mendonça é um ministro indicado pelo Bolsonaro, foi ministro do Bolsonaro e esteve lá. O Nunes Marques é um vereador indicado pelo Bolsonaro e extremamente ratificado pela Michele, o Nunes Marques. Então, isso é o que se faz dentro da regra. Por que não tem mais ministros que sejam dessa linha? Porque vocês não ganharam a eleição, porque vocês perderam a eleição. E é esse o ponto central. Teve mais mandatos, teve mais indicação” disse o Vereador Edson.
Ele falou que quem brigou contra a nomeação do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, foi a esquerda e que “Xandão” é indicação de Michel Temer e que há regras a serem seguidas.
“Foi tentado dar um golpe militar nesse país, foi buscado se fazer isso e usar o poder para permanecer no poder, porque não tinha condições de ganhar a eleição. Agora, o que eu quero dizer, você, ao derrubar as instituições, vereador Fão, tentar derrubar as instituições, é para fazer um chamado para virar as armas. As armas viriam do exército, que o exército não topou. Essa era a lógica. As pessoas que estavam ali estavam sendo usadas” ressaltou o vereador.
Segundo ele, os atos desse fim de semana demonstram claramente o enfraquecimento da extrema-direita aqui no Brasil e aqui em Cascavel. Em continuidade o vereador exibiu as imagens da CGN da manifestação em Cascavel e da manifestação no Rio de Janeiro. De acordo com o vereador, a extrema-direita está enfraquecida e questionou os problemas sociais envolvendo alimentação e saúde que precisam de mais atenção.
“Está na hora de nós discutirmos nesse país o que precisa ser feito. Não você votar em fulano ou em beltrano porque você odeia o outro lado mais do que esse lado de cá. Não dá. Nós precisamos discutir esse país. Nós temos um problema sério de alimentação e o preço da alimentação. Nós temos um problema sério de falta de estrutura na saúde, de falta de estrutura na assistência social. Você puxa a eleição nesse formato e as eleições vêm pelo ódio. O cara não quer saber qual é o projeto do outro. O cara não quer saber se o cara tem projeto para o país. É hora da gente fugir dessa discussão. Então a extrema-direita está enfraquecida em Cascavel e está enfraquecida no Brasil” disse.
Edson ainda continua o discurso defendendo que é preciso deixar os extremos de lado e fazer uma discussão com clareza e que as próximas eleições não devem ser baseadas em gostar ou não do candidato para evitar a “memória seletiva”.
“Você pega, por exemplo, e fala de rachadinha. Aí a direita só fala do Janones. A extrema-esquerda só fala do Flávio Bolsonaro. E os dois fizeram rachadinha. E aí um passa pano do lado, o outro passa pano do outro lado. E o que é central da gente realmente cuidar do dinheiro público não está no centro da discussão” disse.
Ele ainda mostrou uma foto do Bolsonaro na qual aparece uma foto da bandeira dos Estados Unidos e uma bandeira dos Estados Unidos junto e questionou o julgamento dos patriotas que apareceram coma bandeira de outro país.
“Aí como é que você se julga patriota, sendo que você está com a bandeira do outro país? Você idolatra mais o presidente do outro país. Isso é submissão, isso é completa submissão. Bandeira de Israel, os caras lá, cristão, se dizendo com a bandeira de Israel, dizendo que… O cara nem sabe que Israel, nem 2% da população é cristã, o cara não tem nem ideia disso. Então nós precisamos entender a política e compreender a política” ressalta.
Para finalizar, o vereador criticou o vice-prefeito Henrique Mecabô por ter discursado no ato e cobrou sobre as ideologias de Mecabô.
“Ele quer ser candidato a deputado federal e ele quer construir esse caminho, é justo ele ideologicamente buscar esse caminho, mas não fazendo dessa forma, ali não tinha nada institucional. E antes que venha me falar que o prefeito Renato Silva foi lá no ato do MST, o prefeito Renato Silva foi num ato de entrega das terras, institucional, ele não participou do ato político, quando teve caminhada e ato político, ele não foi, ele foi apenas no ato de entrega, o Henrique veio para um ato político, ele precisa pensar no que ele quer fazer” criticou o vereador.
Uma nova Sessão Suplementar, foi realizada nesta terça-feira (18). Veja aqui o detalhamento das proposições incluídas na Ordem do Dia da 13ª Sessão Ordinária da 1ª Sessão Legislativa da 18ª Legislatura, da Câmara Municipal de Cascavel.