O bilionário Bill Gates testemunhou em sigilo, nesta quarta-feira (10), perante a Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. Em sua declaração inicial, o cofundador da Microsoft admitiu aos parlamentares que "não compreendia totalmente a gravidade" dos crimes de Jeffrey Epstein quando se associou ao financista para arrecadar fundos filantrópicos. Gates negou ter presenciado qualquer conduta criminosa, mas acusou abertamente Epstein de chantageá-lo, utilizando informações e mentiras sobre suas infidelidades conjugais para forçar a retomada de contatos entre os dois.
A audiência faz parte de uma ampla investigação parlamentar sobre a conduta do Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) e uma possível má gestão federal nos processos contra Epstein — que morreu na prisão em 2019 — e sua associada Ghislaine Maxwell. O presidente da comissão, o deputado republicano James Comer, havia solicitado a presença do magnata da tecnologia em março. Para se preparar para o painel, Gates contratou Jake Greenberg, ex-chefe de investigações da própria comissão, que deixou o cargo em dezembro.
A versão apresentada por Gates contrasta com o volume de documentos internos e e-mails recentemente divulgados pelo DoJ, que comprovam encontros repetidos entre os dois após Epstein ter cumprido 13 meses de prisão, em 2008, por prostituição de menores na Flórida. Os arquivos oficiais liberados este ano incluem comunicações da equipe da Fundação Gates com o criminoso e fotos do bilionário posando com mulheres cujas identidades foram ocultadas. Em fevereiro, Gates chegou a fazer uma reunião aberta com funcionários de sua fundação para assumir a responsabilidade pelas reuniões, e a entidade iniciou uma auditoria externa sobre o caso em abril.
A investigação do Congresso norte-americano ganhou tração após a abertura de milhões de arquivos governamentais, ordenada por uma lei aprovada de forma esmagadora pelo parlamento, sob resistência inicial do presidente Donald Trump. Os documentos revelaram conexões de Epstein com diversas figuras proeminentes da política, finanças e negócios, incluindo o próprio Trump, que conviveu com o financista nas décadas de 1990 e 2000. O escândalo também atinge a ex-procuradora-geral Pam Bondi, demitida por Trump em abril, que enfrenta duras críticas e acusações de ter tentado blindar o presidente durante a condução das investigações sobre a rede de tráfico sexual de menores montada por Epstein.